AI-Native SDLC
Definition
AI-Native SDLC é a adaptação do ciclo de vida de desenvolvimento de software (planning → design → build → test → deploy → maintain) para o desenvolvimento com agentes de IA, descrita no playbook de 14 lições publicado por Boris Cherny (head do Claude Code) e a equipe da Anthropic; a fonte desta página é um walkthrough em vídeo desse playbook. A tese estrutural: no SDLC tradicional, a etapa de build era a mais longa porque rodava em velocidade humana; com agentes, o build encolhe e o ciclo inteiro encurta — então o gargalo migra para levantamento de requisitos, revisão do código gerado e release, e é nessas três etapas que o playbook concentra as práticas.
Key Points
- Cadeia de artefatos intent → spec → plan. O planning vira um
intent.md— legível por humano e acionável por máquina — capturando problema, outcomes propostos, usuários afetados, restrições e perguntas abertas; uma “grooming skill” entrevista o humano, percorrendo a árvore de decisões branch a branch até haver entendimento compartilhado. Pode haver vários intents (um por mudança) numa pastaintent/, e o intent NÃO precisa morar no repo — pode viver em tickets (Jira/Linear). O design converte o intent (o porquê) emspec.md(o quê: requisitos técnicos e comportamento esperado); oplan.mdconverte spec + intent em tarefas ordenadas, com arquivos exatos a alterar, riscos e prova de conclusão (checkboxes/testes). - TDD com feedback loop para o agente. Testes antes do código; instrução explícita de “não reportar done até testes + lint + build estarem verdes” — build aqui significa compilar/rodar, não codar. O agente verifica o próprio trabalho e corrige os próprios erros antes de um humano ver.
- Pirâmide de testes em 3 camadas. Funções (Jest/pytest) → componentes de UI (React Testing Library; componentes chamam funções, nunca o contrário) → end-to-end de fluxos inteiros (Cypress/Playwright).
- Evals contínuos em CI. O playbook recomenda pegar 20–50 tarefas reais já completadas (PRs, issues) e usá-las como avaliações (prompt + output esperado), configuradas com Skill Creator e rodadas num workflow de CI com Claude headless + allowed tools — o objetivo é detectar regressão quando se troca de modelo ou de regras.
- Revisão de PR por IA via
review.md. Um arquivo contendo o SOP de revisão (idealmente definido pelo tech lead humano): achados tagueados por path e severidade (bugs, segurança, compliance; blockers vs. nits) e instruções do que NÃO reportar (arquivos gerados, temporários). O autor do vídeo recomenda alimentar oreview.mdcom comentários humanos de PRs passados e com os padrões recorrentes neles. - Hooks de bloqueio antes do merge/deploy. Impedir ações perigosas do agente — tocar banco de produção, escrever credenciais no código, editar arquivos proibidos — e rodar lint/testes automaticamente quando o builder-agent corrige achados do reviewer-agent.
- Deploy integrado ao CI/CD. Antes do deploy: Claude headless lê o build log, descobre por que falhou, corrige e abre PR. Depois do deploy: consulta status tools (Datadog, Sentry), detecta quebra, faz rollback, encontra a causa raiz e reabre o ciclo de PR.
- Fechamento do ciclo por métricas. Um job periódico (exemplo do playbook: YAML que olha os últimos 30 dias) analisa logs — erros recorrentes, queries lentas, churn de uso — e gera um intent update, reiniciando o SDLC pelo planning.
- Postura incremental. O autor recomenda NÃO reconstruir o ciclo inteiro do zero: usar o que já funciona (skills de TDD/plans como as de Matt Pocock ou Superpowers) e adicionar do playbook apenas o que refina o ciclo atual.
- Pacote equivalente pronto: pstack. O plugin Cursor pstack empacota o mesmo espírito — playbook copiado verbatim para a task list, evidência exigida antes de reportar sucesso, verificação como parte do resultado — com a diferença de ser orientado a playbooks de Cursor e painéis multi-modelo.
Implications
Para o founder/PM não-técnico, o playbook reposiciona onde o julgamento humano entra: menos em “escrever e revisar código linha a linha”, mais em (1) responder bem à entrevista que gera o intent, (2) manter o review.md e os hooks — que passam a ser o SOP verificável da casa — e (3) decidir quais métricas alimentam o loop de manutenção. A cadeia intent→spec→plan formaliza e estende o plan-first-com-agentes-de-ia (o plano deixa de ser um artefato único e ganha dois artefatos upstream), e a combinação evals-em-CI + hooks + review.md é a versão Anthropic da verificação em camadas de ciclo-issue-branch-pr-merge — com a diferença de que várias camadas passam a ser executadas pelo próprio agente, não apenas conferidas por humano.
Open Questions
- Os templates exatos (
intent.md,plan.md,review.md) e a “grooming skill” são referenciados mas não reproduzidos na íntegra no vídeo — confirmar no playbook original da Anthropic (agora parcialmente capturado: curso oficial Claude Academy em ai-native-sdlc-playbook). - “20–50 tarefas reais” como tamanho de eval set é recomendação prática do playbook; o vídeo não traz dados de validação sobre a sensibilidade a esse número.
- Os segmentos sobre a comunidade Skool do autor e o curso Johns Hopkins/Great Learning são promoção do canal, não parte do playbook — não devem ser tratados como evidência sobre o método.
Related Concepts
- ai-native-sdlc-playbook — curso oficial Claude Academy deste mesmo playbook (14 lições, 6 estágios); versão estruturada deste walkthrough
- plan-first-com-agentes-de-ia — o checkpoint de plano que este playbook expande numa cadeia de 3 artefatos (intent → spec → plan)
- ciclo-issue-branch-pr-merge — o loop de entrega que ganha aqui automação de revisão, hooks de bloqueio e deploy com rollback
- self-healing-agent — o pós-deploy com rollback + causa raiz é o mesmo padrão de auto-recuperação aplicado a produção
- vibe-coding — o universo geral; este playbook é a versão Anthropic do ciclo de desenvolvimento com agentes
- pstack — pacote pronto que implementa o “verify antes de ship” via playbooks e painéis multi-modelo
External Links
Sources
^[raw/vibecoding/transcripts/youtube-6CaQ9ZFuuKI.md] ^[raw/external/flaviocopes-com-pstack-640e9607.md]